
E as estradas eram o vazio a percorrer eternamente, sem possível fim. Submersas por rios de lágrimas choradas antigamente, daquelas secretas que alguém em tempos criou sem dizer nada a ninguém. E agora, eu via-as, fugidias a correr rumo ao fim.
A lágrima mais pesada caiu devagar, rolou quente e fresca, acabada de chorar, tombou no lugar onde a certeza de nada era tudo. Aqui mesmo... onde é o seu lugar.
Às vezes, o mundo é um lugar sem espaço para chorar.
A.P.
(fotografia de Carlos Urbina)
(fotografia de Carlos Urbina)