sexta-feira, 30 de março de 2007
quinta-feira, 29 de março de 2007
segunda-feira, 26 de março de 2007
Faith And Reason
Colin McGinn: um filósofo da actualidade que vale a pena conhecer.
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Ana Paula Sena
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03:33
Livros: convite à leitura
A Bizâncio tem uma nova colecção de livros: Filosoficamente. Atenta que costumo estar a novas publicações nesta área, pareceu-me ser uma boa aquisição, a do primeiro título da colecção: "Como se faz um Filósofo: a minha viagem na Filosofia do séc. XX" de Colin McGinn.Apesar de considerar que a filosofia não pode reduzir-se por inteiro a este tipo de análise, considero ser um excelente trabalho de divulgação, o qual certamente tem tudo para chegar ao grande público. Recomenda-se a leitura a todos, desde os estudantes de Filosofia até ao leitor comum, já que é super agradável, nada maçadora e muito estimulante. A linguagem é extremamente acessível e as questões abordadas, como não poderia deixar de ser, muitíssimo interessantes.
A revisão científica é de Desidério Murcho, King's College, Londres, assim como a direcção da colecção. Para os interessados, como eu, é bom estarem atentos às próximas publicações.
Sobre a Colecção, pode ler-se na contracapa: " Filosoficamente é uma aposta da Bizâncio para apresentar, quer ao grande público, quer aos estudantes e professores, obras de Filosofia de natureza diversa, criteriosamente seleccionadas e imprescindíveis."
Sobre o autor é-nos dito o seguinte: " Colin McGinn frequentou a Universidade de Oxford onde foi também professor. É um dos mais importantes filósofos da actualidade, tendo escrito inúmeros artigos sobre Filosofia e os filósofos em publicações como a New York Review of Books, London Review of Books, New York Times Book Review, etc. Já escreveu diversos livros de Filosofia e publicou um romance. Ensina na Rutgers University e vive em Nova Iorque."
Alguns excertos que selecciono:
" O que haveria eu de fazer, porém, depois de ter decidido que os problemas da Filosofia que mais me interessavam não poderiam ser resolvidos? Continuar a explicar aos outros por que razão as suas ambições filosóficas são inúteis? Achar outra coisa em que trabalhar que me desse mais esperanças de progresso? Por acaso, uma das cadeiras que oferecíamos em Rutgers não tinha professor aquele ano - Problemas Filosóficos na Literatura. Ofereci-me para dar a cadeira, apesar de nunca ter ensinado nada do género antes. A minha intenção, (...), consistia em usar obras de literatura como materiais para uma cadeira de ética. O meu próprio interesse na escrita ficcional foi um dos motivos, mas também gostava da ideia de me voltar para algo completamente novo; (...). O objectivo era fazer uma cadeira sobre o tema negligenciado da vida."
" O principal resultado de dar esta cadeira,(...), foi ter escrito um livro intitulado Ethics, Evil and Fiction (...). Um dos capítulos intitula-se «A Personagem Perversa», no qual tentei delinear e explicar a psicologia de uma pessoa perversa. Também isto me levou mais um par de vezes a aparecer na televisão, nas quais discuti vários psicopatas e malfeitores. As personagens nos romances que estava a leccionar foram um estímulo para este trabalho, mas alguns dos acontecimentos nas notícias também me impeliram a considerar outras personagens malfeitoras, (...). O meu tema geral era o de que personagens perversas invertem a empatia normal que sentimos pelo sofrimento alheio: em vez de sofrerem quando os outros sofrem, divertem-se com o sofrimento alheio. O sádico é precisamente alguém que retira prazer do sofrimento alheio. Distingui os motivos do sádico puro dos daquelas pessoas que são instrumentalmente más: uma pessoa pode causar sofrimento aos outros com o objectivo de conseguir outra coisa, por exemplo, através de um roubo violento, mas o sádico é alguém que causa sofrimento aos outros sem outra razão para o fazer.
É o que classificamos de pura malvadez. A personagem James Claggart, em Billy Budd, é o puro mal, pois procura destruir o inocente Billy sem outra razão a não ser destruí-lo; não retira qualquer benefício, como promoção, da desejada destruição. Sugeri que uma profunda inveja existencial tem um grande papel neste tipo de mal - principalmente a inveja da virtude e da inocência. Claggart queria Billy morto por causa do seu sentimento invejoso de nunca poder vir a ter a natureza bondosa de Billy; o ódio da bondade é gerado pela inveja que se tem dela. Acho que os filósofos morais deveriam discutir mais este tipo de tema, (...). Em qualquer caso, a literatura fornece claramente um campo imenso para a reflexão moral. Não se trata de um mero acidente o facto de falarmos da "moral da história"."

Mais tarde naquela mesma noite, também tive uma breve conversa com Anthony Hopkins, (...). Como já tinha observado, dizem muitas vezes que sou parecido com ele, pelo que aproveitei a oportunidade para lhe pedir a opinião. Hopkins olhou-me directamente para a cara durante um longo momento, com as pessoas a andar de um lado para o outro à nossa volta, enquanto ele pesava a pergunta, até que proferiu o seu juízo: «Não, de facto não somos parecidos, apesar de perceber por que possam as pessoas achar isso.» Concordei, dizendo que nunca me tinha ocorrido tal coisa até as pessoas começarem a mencionar o facto. E ele acrescentou, depois de uma pausa significativa, com uma voz que só ele domina: «Bom, talvez em volta dos olhos.» Com olhos nos olhos, acenei a minha concordância, (...)."
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Ana Paula Sena
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02:34
domingo, 25 de março de 2007
De Matisse
Um outro aspecto pelo qual Matisse me fascina é a forma como o traço fica numa zona intermédia, algures entre o figurativo e o abstracto. Essa tensão essencial é um permanente apelo à imaginação através do nosso olhar.
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Ana Paula Sena
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05:11
sexta-feira, 23 de março de 2007
O sentido das palavras: "amor"
Que tipo de amor preferimos?
"O amor concupiscente : faz desejar a coisa que se ama."
'desejar ardentemente; ambicionar' e designa aquilo 'que tende ao prazer apaixonado dos sentidos' :
O amor concupiscente, enquanto amor-desejo, contrapõe-se ao amor platónico.
Da mesma família: cúpido, cupidez, Cupido, concupiscência
"Amar com um amor oblativo":
Oblativo vem do particípio perfeito latino oblatu-, do verbo offero 'oferecer', mais o sufixo adjectival -ivo, e designa aquele 'que se oferece voluntariamente' :
O amor oblativo é o que se traduz numa dádiva da própria pessoa.
Da mesma família: oblação, oblata
"Amor captativo"
Captativo vem do particípio perfeito latino captatu-, do verbo captare 'tentar deitar a mão a algo; prender' mais o sufixo adjectival -ivo, e designa aquilo 'que tem o poder de agarrar ou captar; absorvente' :
O amor captativo procura o domínio do ser amado.
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Ana Paula Sena
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03:45










